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Resenha: A Culpa é das Estrelas

julho 21, 2013Amanda de Ishtar

A resenha de hoje, é de uma obra muito linda, intensa, melancólica, divertida e de uma lição de vida e demonstração do que é o amor verdadeiro. Um dos livros mais vendido no momento e que está fazendo o maior sucesso no público juvenil e adulto; e a culpa é toda das Estrelas..
Para esta resenha em específico, eu não vou me limitar em descrições sem spoilers, porque serei mais abrangente e específica. Então amiguinho, caso ainda não tenha lido, sugiro que pare neste parágrafo, sabendo que a obra é linda e que com certeza, você amará lê-la e chorar, chora como se não houvesse amanhã. Só te digo isto e basta.

A história, escrita por John Green - que aliás está na listinha dos escritores que estão fazendo sucesso com romances ultimamente - é linda e comovente. Confesso que ainda não tinha lido nenhuma obra dele até o momento (sim, batam-me). A personagem principal, Hazel Grace com seus 16 anos, foi diagnosticada com um câncer na tireoide com 13 anos e metástase no pulmões. Motivo pelo qual carregava um carrinho com um cilindro de oxigênio e estava sempre com uma cânula nas narinas, pois seus pulmões de araque não funcionavam. Ela nunca teve a chance de cura, apenas o uso de medicamentos que mantivessem a situação mais ou menos estável. O autor e sua 'licença poética' (não sei a expressão para escritores, então vou roubar a dos poetas e poetisas), cria um remédio fictício (que Green explica ao final da obra) chamado Falanxifor, que é o motivo dela ser um milagre da medicina, por ter seu tempo de vida estendido além do esperado. Achei uma jogada inteligente e conveniente na história.

Ela frequentando um Grupo de Apoio no coração literal de Jesus, conhece Augustus Waters (Gus), dando início a uma amizade linda e sincera, para se tornar um sentimento de amor e cumplicidade, raros em casais adultos, quem dirá em dois adolescentes.

Sei que se você está lendo até aqui, deve me achar uma pessoa estúpida por descrever fatos que já conhecem, por também terem lido. Perdoem-me a repetição, só quero criar uma linha de raciocínio e afinal, isto é uma resenha.

Seguindo com os fatos, e aqui eu faço uma observação que percebi após ter lido boa parte da obra assim como você, que a fascinação imediata de Gus por Hazel, no Grupo de Apoio, quando ficaram se encarando (ela em reciprocidade aos olhares dele), se dá pelo fato de Hazel se parecer muito com Caroline, a ex-namorada de Augustus, diagnosticada com câncer cerebral e que havia falecido cerca de uns meses antes.
Aqui eu também friso o fato de em um primeiro instante, Hazel ser comparada com Caroline fisicamente, em boa parte pelos efeitos colaterais da medicação contra a doença, mas que logo se distanciam em personalidade, já que Gus em dado momento da história diz que Caroline tinha o Tumor dos Imbecis, como os próprios médicos assim o chamavam. Ela sempre estava de mal humor e era perversa com as pessoas, inclusive com ele.
Para mim, esta referência à Caroline com Hazel, serviu para frisar a diferença do amor que Gus sentia pela ex e pelo que ele passou a sentir por Hazel. Gus não tinha como diferenciar as atitudes de sua ex como sendo dela mesma ou resultado da doença, afinal, aquilo bem podia ser 'efeito colateral de se estar morrendo'; todos os personagens estavam em 'uma montanha-russa que só vai para cima'.

Augustus Waters para mim é o perfeito cavalheiro, além de inteligente, divertido, carinhoso e com muitas qualidades que uma garota iria querer em um namorado. Ele havia tido uma osteossarcoma em um das pernas, que precisou ser amputada e por isso, usava uma prótese que o fazia andar mancando e era responsável pelo seu péssimo desempenho no volante.
Acho interessante aqui, como o autor nos descreve como era andar de carro com Gus ao volante, aos trancos e solavancos. Em vários momentos eu conseguia me imaginar indo para frente e batendo a cabeça de volta no banco, junto com Hazel.

E também tem Isaac, com um raro e incomum câncer nos olhos, que tristemente o deixou cego, mas o único que se tornou inteiramente saudável no final das contas.
Isaac como melhor amigo de Gus, teve um papel importante na história ao meu modo de ver. Ele de certa forma ajudou a aproximar Hazel de Gus, quando precisou de apoio psicológico após ser abandonado pela até então namorada, Mônica. A 'cena' de destruir os troféus, foi o estopim da união dos três, como um grupo.

Os pais de Hazel cumpriram um excelente exemplo de como é a rotina, o sofrimento de pais com filhos que sabem que serão levados pelo câncer. A mãe de Hazel se dedicando em tempo integral para a filha, sempre por perto e sempre apoiando-a a viver a vida que uma garota de 16 anos deve viver, apesar das limitações, nos mostra o que é o amor de mãe e até onde ele é capaz de ir para o bem de uma filho.
O pai de Hazel (mais emotivo) é descrito como um chorão, sempre de olhos marejados em situações delicadas que envolviam sua filha. É o paizão coruja que ama demais a filha e não suporta vê-la sofrer.

Pulando os fatos intermediários, o final do livro me deixou perplexa. Não sei vocês, mas eu imaginei Gus tendo que sobreviver a perda de mais uma namorada (esta que ele amou de verdade), e Hazel nos deixando com apenas o ensinamento de um livro e de uma história milagrosa. Mas quando Gus fica doente e depois nos deixa, foi como se tudo virasse de ponta cabeça e eu me vi sendo pega de surpresa. Juro que não esperava por isso.

Narrativa

O autor escreve o livro em primeira pessoa, ou seja, Hazel é quem conta a história. Sendo assim, a leitura é fácil e cheia de vicios de linguagem. É como se Hazel em seus hábitos coloquiais e juvenis, nos narrasse sua história em uma conversa com algum amigo íntimo. No começo, depois do primeiro 'tipo' e 'tal', achei que não fosse gostar de como a leitura iria fluir, mas acabou que isso tornou a proximidade da personagem mais legítima. Era como se eu estivesse conversando com ela cara a cara.
Hazel é super fã de literatura e a obra é repleta de referências literárias e que, me deixou com uma enorme vontade de ler 'Uma aflição Imperial', que podemos perceber claramente uma metalinguagem - a obra falando da obra. E que obra! Hazel é obcecada até o final e foi o elo de ligação entre ela, Gus e Peter Van Houten.

Minha percepção

Com tantas pessoas dizendo que choraram muito lendo a obra, eu já me imaginei soluçando com o livro em mãos. Eu que chorei muito lendo Diário de uma Paixão, muito menos cruel que A Culpa é das Estrelas, consegui me manter firme e forte até a morte de Gus. Como dito acima, fui pega totalmente de surpresa com a recaída dele; desconfiei que havia algo errado após a briga com a mãe antes de irem para a Holanda, e depois das dores suspeitas dele, mas sabe né, a esperança é a última que morre. Enfim, diferente dos demais livros tristes que li, quase não chorei neste livro, PORÉM, antes que me julguem coração de gelo, eu dormi com a história martelando em minha mente e me senti realmente mal, como não havia ficado nas outras obras, colocando-me no lugar dela e pensando na pessoa que eu amo, morrendo como Gus morreu. E a cena que não me saiu da cabeça, foi ele no carro sozinho no meio da noite, chorando no telefone pedindo ajuda da Hazel. A cena dele fazendo xixi nele mesmo... nossa, fiquei várias horas refletindo esses fatos e me senti mais mal sabendo que essas coisas de fato acontecem com muitos Augustus pelo mundo afora.
E quantas Hazel estão esperando a morte? E Carolines?

A Culpa é das Estrelas não só passa uma mensagem de amor verdadeiro para nós; são os obstáculos e dificuldades estampados em 283 páginas, de como é difícil conviver com uma doença feita de você, sugando sua vida e diminuindo seu infinito - porque alguns infinitos são menores que outros.
Este livro é para você, que goza de perfeita saúde, dar mais valor à coisas pequenas, como poder correr, pular, ver e fazer o que quiser; amar e planejar um futuro. A vida é curta e viver é o que há.

A metáfora do cigarro é genial. Hazel é um exemplo do que pode lhe acontecer com o excesso de fumo. Está tudo lá. Todos o material necessário para você aprender a viver e a cuidar do seu corpo, como se ele fosse seu templo sagrado. E é isso que ele realmente é.

Para finalizar, deixo aqui minha super recomendação deste livro para ser lido no mínimo umas duas vezes. Acredito que a cada leitura, dá para captar mais mensagens que eu percebi que são muitas. E vou terminar este post, com uma citação, dentre tantas, todas lindas e profundas:

Nós vivemos num universo dedicado à criação e à erradicação da consciência. Augustus Waters não morreu depois de uma longa batalha contra o câncer. Ele morreu depois de uma longa batalha contra a consciência humana, uma vítima - assim como você será - da necessidade do universo de fazer e desfazer tudo o que é possível.

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